Quando a música vai além das melodias e vozes
Intérpretes de Libras acompanham ritmo, emoção e expressões para aproximar a comunidade surda dos grandes shows do Festival de Música
A música pode ser ouvida, sentida e, no Festival de Música de Itajaí, também pode ser percebida por meio de movimentos. Durante a programação da 28ª edição do evento, intérpretes de Libras têm desempenhado um papel fundamental para garantir que a comunidade surda participe dos shows e oficinas, traduzindo não apenas as palavras, mas também o ritmo e a emoção do repertório.
O trabalho começa muito antes de os artistas subirem ao palco. Os intérpretes recebem previamente o que será apresentado nos shows, estudam as músicas e se preparam para reproduzir em Libras todo o espetáculo. Durante as apresentações, a equipe se reveza a cada quatro músicas, garantindo concentração e qualidade na interpretação.
A intérprete Alcirema Alves explica que a preparação é essencial. Segundo ela, os profissionais recebem os repertórios enviados pelos artistas e estudam as canções.
Na interpretação musical em Libras, porém, não basta traduzir literalmente a letra. As expressões faciais e corporais são parte fundamental da comunicação. Conhecidas como expressões não manuais, elas ajudam a transmitir informações que, para uma pessoa ouvinte, podem estar presentes na tonalidade da voz.
“São complementos da gramática. É como se fosse a tonalidade da voz de um ouvinte, no caso do músico, para a comunidade surda. Sem essas expressões é impossível que eles compreendam claramente”, destaca Alcirema.
A música ganha movimento
A experiência fica ainda mais evidente em gêneros como a Bossa Nova. Em uma apresentação marcada por canções calmas e consagradas da música popular brasileira, os intérpretes acompanham corporalmente a atmosfera de cada música. A interpretação acompanha o ritmo. Movimentos mais suaves, expressões faciais, postura corporal e intensidade dos sinais ajudam a construir visualmente a atmosfera.
“Como profissional na área, é muito interessante. Porque eu preciso passar para a comunidade surda os sentimentos que a música está querendo mostrar. Esses são os privilégios da minha profissão. A Libras é muito visual. Então, tem que mostrar tudo para um surdo, para conseguir entender o que aquela música está querendo dizer”, completa o intérprete Natan Fraga.
O trabalho dos intérpretes transforma o palco em um espaço de encontro entre diferentes formas de perceber a música. Enquanto os artistas utilizam voz e instrumentos para construir as canções, os profissionais de Libras utilizam o corpo e as expressões para traduzir essa experiência visualmente.
A acessibilidade faz parte do espetáculo. A presença dos intérpretes durante a programação amplia o acesso ao Festival de Música de Itajaí. É uma outra maneira de viver o espetáculo e de mostrar que a música deve chegar a todos.
Conteúdo da fonte: Prefeitura de Itajaí.
Conteúdo conectado com crédito e acesso à origem.
Publicado na fonte em 02/09/2026 10:29
Comentarios
Ainda nao ha comentarios. Seja o primeiro a participar.